Numa aldeia de pescadores, encostada à margem norte do rio, a noite fervilhava. As mãos fortes dos pescadores puxavam as redes. As mulheres corriam para as margens do rio, para carregar os cestos de peixe.
Nesta terra um homem tinha mãos de ouro, era aquele que mais pescava, era aquele que mais sorte tinha. Um homem comum, mas de espírito indomável, enfrentava diariamente as correntes do rio. As memórias do rio fluem por ele, enchendo-o de sabedoria ancestral e de respeito pelo ciclo da vida. O Rio, um ser vivo, um deus, às vezes benevolente, e às vezes cruel. Ele é a vida que floresce às suas margens e, em troca do que lhe é oferecido, exige lealdade.
Mas com o passar do tempo o pescador enriquece, o rio deixa de ser o seu sustento e o tempo que passa junto a ele torna-se cada vez mais escasso. E assim o rio vai perdendo o seu caudal, encolhendo, e adoeceu.
Mas, assim como a vida, o rio é implacável, e um dia chega o instante em que a dívida deve ser paga.
O Teatro e Marionetas de Mandrágora é uma companhia profissional de teatro de marionetas, fundada a 2 de abril de 2002, com direção artística de Clara Ribeiro e Filipa Mesquita e direção plástica de enVide neFelibata.
ficha artística:
direção artística e texto clara ribeiro
interpretação clara ribeiro, ricardo falcão
marionetas envide nefelibata
construção da cenografia miguel tepes
música cénica ricardo falcão
desenho e operação de luz césar cardoso