“Caíram as cuecas da corda.” Esta é a primeira fala, prosaica e objetiva, de Maiúscula, o solo que Jacinto Lucas Pires escreveu para uma atriz maior, Luísa Cruz, uma das mais extraordinárias da sua geração. Marcos Barbosa encena-o, reativando assim uma continuada parceira com o dramaturgo. Neste monólogo, Luísa Cruz é Benedetta Croce, uma atriz de certa idade, que recebe o telefonema de um realizador a propor-lhe um projeto chamado Medeia. A partir daí, ela enceta um frente a frente consigo própria, com o seu passado e futuro, não sem um implacável sentido de humor e de autoirrisão. “No espelho, o meu rosto lembra-me alguém que eu já fui.” O tempo desconcerta-se para esta mulher, mãe, divorciada, desempregada, patroa, sozinha numa casa grande demais. Uma atriz/mulher que, sobressaltada pelo antiquíssimo M de Medeia – a obra-prima de Eurípides, que neste solo é como um eco, ou uma réplica num diálogo vivo –, se assume em toda a sua “sageza e sabedoria”: “Não, não preciso que olhem para mim, sou uma Mulher Maiúscula.” Mas nós queremos olhar, Benedetta/Luísa, ser testemunhas desta Maiúscula.
interpretação Luísa Cruz
cenografia e figurinos Simon Donger
desenho de luz Filipe Pinheiro
desenho de som Joel Azevedo
produção Teatro Nacional São João
Lugares de mobilidade reduzida disponíveis na bilheteira do Teatro Municipal António Pinheiro
Não são permitidas entradas após o início dos espetáculos, não havendo lugar para devolução do valor dos bilhetes, de acordo com a legislação em vigor. (DL Nº23/2014 de 14 de fevereiro. alterado pelo nº5 do artigo 10º do Decreto-Lei Nº90/2019, de 5 de julho)
Não é permitida a entrada a menores de 3 anos, conforme o estipulado no Decreto-lei 23/2014, de 14 de fevereiro, na sua redação atual (art. 26ª).